3° ENCONTRO - ACABOU A PAZ! ISTO AQUI VAI VIRAR O CHILE (Trailer, Sinopse e Crítica)


Direção: Carlos Pronzato. 2016. 1:00. Brasil.  


SINOPSE


A saga dos estudantes secundaristas de São Paulo por uma educação de qualidade. O levante do segundo semestre de 2015 contra o fechamento de 94 escolas, culminou na ocupação de mais de 200 que seriam afetadas pelas ações de precarização do ensino público engendradas pelo Governo de Geraldo Alckmin que vem perdendo apoio dia a após dia. A coragem, a autonomia, a horizontalidade, a sororidade e solidariedade demonstrado pelos secundaristas e o apoio popular presentes! Os gritos seguem ecoando na rua talvez anunciando uma profecia já concretizada: Acabou a paz, isto aqui vai virar o Chile!

TRAILER 






CRÍTICA


Por Cidinha Silva


  “Razões nós temos. Nós não somos rebeldes sem causa!” Essa é uma das reflexões feitas pelos jovens secundaristas que ocuparam as escolas públicas estaduais da cidade de São Paulo, no final de 2015, em resistência à autoritária reorganização escolar imposta por Geraldo Alckmin.
Dezenas de moças e rapazes nas escolas e centenas deles nas ruas enfrentaram com galhardia uma secretaria de educação inflexível e uma força policial violenta durante 26 dias heroicos, iniciados em 06 de outubro de 2015.
O processo foi registrado pelo cineasta argentino Carlos Pronzato e resultou no documentário “Acabou a paz, isso aqui vai virar o Chile”,
Durante uma hora de duração do filme o expectador acompanha cenas do movimento estudantil de resistência e desobediência civil que tomou conta de São Paulo, conquistou o Brasil e também a simpatia internacional. Além de influenciar movimentos similares em Goiânia e no Rio de Janeiro.
Tem acesso também às vozes de sociólogos, educadores, analistas políticos, sindicalistas, representantes de associações estudantis, ativistas políticos, jornalistas independentes que analisam o movimento, seus vínculos com as manifestações de junho 2013 e  desdobramentos.
Mas ouve, principalmente, a voz dos estudantes que discutem a precariedade do sistema de educação paulista expressa na demissão de professores, superlotação de salas de aula, prédios abandonados. Livros e alimentos trancafiados e em processo de deterioração dentro dos prédios escolares.
Pronzato, realizador de “A rebelião dos Pinguins, estudantes chilenos contra o sistema”, de 2007, fez de “Acabou a paz, isso aqui vai virar o Chile”, um registro do protagonismo juvenil como personagem central. O movimento dos estudantes é mais destacado do que os indivíduos, as lideranças.
Esse movimento buscou o governo estadual na tentativa de dialogar antes da ocupação. Enviou abaixo-assinados, conseguiu apoio de vereadores, tentou agendar reuniões, mas nada deu certo. Não foi ouvido. Não foi considerado.
Restou apenas a alternativa de ocupar as escolas e as ruas. O documentário nos mostra a organização política horizontal construída pelos estudantes em cada escola ocupada e a surpresa causada ao governo Alckmin e à polícia militar que os reprimiu de maneira covarde e violenta.
Mostra também o processo de politização de muitos jovens que, antes do movimento de resistência à reorganização das escolas eram alheios à política, como se nota em alguns depoimentos. E, ao construí-lo alimentaram o mundo adulto com mais esperança no futuro.

3° ENCONTRO - ONDE FICA A CASA DO MEU AMIGO? (Trailer, Sinopse e Crítica)



Direção: Abbas Kiarostami. 1987. 1:23. Irã

SINOPSE


O garoto Ahmad, ao fazer seu dever de casa, percebe que pegou o caderno de seu amigo por engano. Sabendo que o professor exige que as tarefas sejam feitas no caderno, escapa das vistas de sua mãe e parte em busca do colega. Ele vai até uma vila nos arredores com o intuito de encontrá-lo para devolver o caderno.


TRAILER





CRÍTICA 

Por Guilherme Bakunin 


 
O tempo, a jornada e a infância num dos mais significativos de Abbas Kiarostami.
Kiarostami despontou para o mundo depois de Close-Up, mas Onde Fica a Casa do Meu Amigo? é recorrentemente citado como a sua primeira obra de grande valor, onde sua estética e seu estilo apresentavam-se maduros, afiados, exibindo as marcas inconfundíveis do diretor iraniano. A sinopse é sucinta, absurda de tão simplória: Ahmad leva por engano pra sua casa o caderno do seu colega e pretende devolver, embora não saiba exatamente onde ele mora.
O filme percorre, de uma maneira bem menos evidente que seu sucessor (Close-Up), o terreno da ficção-não-ficção, tão querido por Kiarostami. Embora os personagens sejam filmados de uma certa distância, com uma câmera estática, com certeza há uma impressão de cinema verité presente, mediando a trajetória da narrativa.
Parte da impressão acontece provavelmente pelo uso do que supomos serem atores amadores para interpretar os personagens do filme – não que as atuações sejam claramente ruins, pelo contrário, as pessoas expressam um certo peso no olhar, algo perdido entre a rigidez e a tristeza, que parece muito bom para ser atuado. A geografia específica dos dois vilarejos que servem de ambientação da história também contribuem para a impressão de verdade. Poshteh, o conglomerado vizinho, e Koker a vila onde mora Ahmad.
As duas cidades, mas mais especialmente Poshteh, são retratadas de maneira interessada, próxima, atentando para as texturas que fazem parte dos lugares: o chão de terra, as paredes mal rebocadas, as portas e janelas simples e de maneira, a estrutura em morros, etc. Mesmo que enquanto pano de fundo, o olhar do diretor compõe uma lógica de observação que contempla o cenário como parte primordial da estrutura dimensional da imagem. O cenário também faz parte do tema.
Porém, existem duas questões caras ao filme que mexem comigo de um jeito mais particular. A primeira é o tempo. O filme possui pouco mais de uma hora e quinze minutos, mas realmente quase nada acontece, porque Kiarostami investe grande parte de sua metragem em acompanhar o garoto percorrendo os locais, manifestando uma consideração temática constante em seu cinema: a jornada. Não é nem pelo fato de que Ahmed não consegue na real chegar ao seu destino (a casa do amigo), mas é que realmente os espaços pelos quais ele anda é que interessam, enquanto conteúdo narrativo, para o diretor.
No cinema, a jornada é tão importante quanto o tempo dedicado a mesma. Ao fazer sua câmera seguir pacientemente o menino de uma cidade a outra, na subida de um morro, na descida de um morro, o filme ressalta claramente o valor e significado que deseja atribuir a ela. Em oposição a filmes repletos de transições e cortes temporais que comprimem a jornada, Kiarostami constrói no seu uma relação entre espaço e tempo, tornando-os a história em si, acima de qualquer outra coisa. Poder sair da correria de um filme rápido e investir-se emocionalmente em um filme tão delicado e contemplativo é realmente reconfortante e emancipador.
A outra questão é a infância. Ahmed e as outras crianças do filme parecem ainda descolados da sociedade específica daqueles locais tal como ela está formatada. Isto é, eles ainda exercem certas liberdades individuais por serem crianças, embora precisem cumprir com as tarefas que lhes são entregues. O filme é bastante contemplativo, mas é interessante como ele, à sua maneira, desenvolve aquilo que Hitchcock ou Tarantino descrevem como “carrossel de emoções”. A terceira cena do filme, por exemplo, dura quase doze minutos e é basicamente Ahmed tentando convencer a ríspida mãe a deixá-lo ir até o outro vilarejo para entregar o caderno do colega. É angustiante e sufocante, emoções bem próximas do que o personagem deve ter sentido naquele momento.
Ao mesmo tempo, revela como os adultos do filme exibem comportamento autoritário sobre as crianças, como se elas fossem mudas e invisíveis. Intransigentes, os adultos não ouvem as crianças e esse é, acima de todos os outros, o principal inimigo na jornada particular de Ahmed. Por outro lado, os colegas do menino parecem mais dispostos a ajudá-lo, sendo solícitos e bem intencionados.
Como exceção aos adultos rígidos, há um senhor que desempenha o esforço descomunal de sair de sua casa e descer para depois subir um conjunto de morros e escadas para guiar Ahmed até a casa do seu amigo. O senhor é bastante velho e anda bastante devagar, o que sinceramente irrita o menino apressado. Ele oferece uma flor ao garoto, e pede para que ele a guarde dentro do caderno. Ao final do filme, com espectador ciente da entrega de Ahmed em ajudar o amigo, um plano detalhe revela a flor esquecida dentro das páginas amassadas do caderno, denotando todo um simbolismo dessa jornada, dessa compaixão, dessa ternura. A mim, esse plano detalhe simplório teve a reverberação de uma bomba – algo completamente bom e arrebatador o bastante para eu simplesmente não aguentar. Kiarostami encerra o seu filme com uma imagem que o representa completa e inequivocamente. Coisa de gênio.



3° ENCONTRO - ÚLTIMAS CONVERSAS (Trailer, Sinopse e Crítica)

Direção: Eduardo Coutinho. 2014. 1:25. Português.

TRAILER 




SINOPSE


No longa póstumo que o diretor não teve tempo de montar, ele conversa com jovens cariocas estudantes do ensino médio da rede pública sobre suas vidas e o que eles esperam do futuro.


CRÍTICA

por Francisco Russo


Últimas Conversas, o derradeiro filme dirigido por Eduardo Coutinho, tem um início surpreendente: com o próprio Coutinho na cadeira de entrevistado. Se é verdade que o diretor jamais omitiu a participação em seus documentários, na enorme maioria dos casos o público tinha apenas a chance de ouvir sua voz. Mais do que apresentar a proposta de seu novo longa-metragem, Coutinho vem a público para revelar sua aflição com o filme ainda em formação. "É melhor não fazer do que ter um filme de 70 minutos em que não se acredite", diz em determinado momento. "Sempre cumpri meus contratos, mesmo que tenha assinado para fazer um filme e entregue outro", complementa. "Me arrependo de não ter feito com criança", lamenta.
A proposta de Últimas Conversas era, de certa forma, simples: falar com adolescentes, entre 16 e 18 anos, vindos de escolas públicas do Rio de Janeiro.  O objetivo não era propriamente esmiuçar a qualidade (ou não) da educação pública - esta tarefa já foi cumprida pelo contundente Pro Dia Nascer Feliz, de João Jardim -, mas saber um pouco mais sobre quem são estes jovens prestes a adentrar na dura vida adulta. Para o diretor, o maior problema era o comportamento típico do adolescente. "O jovem vem moldado", reclama. O cinismo e a arrogância típica de quem acha que sabe tudo sobre a vida era outro problema, bem como a "ausência de memória" com tão pouca idade. Mas o entrevistador era Eduardo Coutinho. E ele, coutiniando como sempre, consegue extrair muito mais do que se espera.
Não foi fácil, é bem verdade. Em vários momentos é possível notar o quão incomodado estava o diretor, pela forma como respondia às frases feitas proferidas pelos seus jovens entrevistados, às vezes deixando-os desnorteados. Sempre sem grosseria, como era de seu feitio. Coutinho tinha o dom da conversa e, através dela, fazia com que as pessoas se expusessem. Às vezes em detalhes aparentemente triviais, como a roupa vestida ou a música apreciada, mas que tão bem explicam o comportamento de quem fala. Em outras, indo em questões profundas que tanto revelam não apenas sobre o que é ser brasileiro mas também sobre a natureza do ser humano. É neste ponto que o filme atinge a grandiosidade, ao abordar de forma tão honesta e ao mesmo tempo tão crua questões essenciais como intolerância racial, igualdade sexual e abuso de menores. São momentos que, além de despertar questionamentos sobre que sociedade é esta, revoltam.
Se por um lado Últimas Conversas possui trechos desoladores, por outro é capaz também de promover risadas com gosto pelo inusitado provocado pelo contraste de gerações envolvendo entrevistador e entrevistado. Esta dualidade entre o rir e o chorar, tão comuns na vida real, é mérito não apenas da habilidade na condução de entrevistas mas também da edição feita por Jordana Berg e João Moreira Salles, responsáveis pelo filme após a trágica morte de Coutinho. É possível até que o documentário fosse um pouco diferente caso Coutinho tivesse participado da montagem, já que há uma valorização à figura do diretor de forma que o espectador possa acompanhá-lo melhor em plena atividade. "O que vou fazer se não filmo?", ele pergunta no decorrer do filme.
No fim das contas, Últimas Conversas é um belíssimo filme por vários motivos: por tão bem apresentar o estilo do diretor ao fazer documentários, pela abordagem a questões tão delicadas e ao mesmo tempo tão necessárias, pela reflexão provocada como poucos filmes na atualidade conseguem, pelo processo de construção de um filme a partir das dúvidas sobre qual seria sua essência e pela bela despedida a este que é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores diretores da história do cinema brasileiro. Há pelo menos duas sequências que merecem entrar em qualquer antologia que se faça com os melhores momentos de sua carreira.

TEXTO 2° ENCONTRO

Princípios e propostas para uma introdução ao cinema com professores e estudantes: a experiência do CINEAD/UFRJ

Adriana Fresquet

                         
REFERÊNCIA

FRESQUET, Adriana M. Princípios e propostas para uma introdução ao cinema com professores e estudantes: a experiência do CINEAD/UFRJ. In: BARBOSA, Maria Carmen Silveira; SANTOS, Angélica dos. (Orgs.). Escritos de Alfabetização Audiovisual. Porto Alegre: Libretos, 2014.

TEXTO 1° ENCONTRO

Relações entre cinema e educação na esfera pública brasileira

Rosália Duarte

                            

REFERÊNCIA

DUARTE, Rosália. Relação entre cinema e educação na esfera pública brasileira. In: BARBOSA, M.C.S; SANTOS, M.A. Escritos de alfabetização audiovisual. Porto Alegre: Libretos, 2014.

FOTOS do 1° ENCONTRO - 20/03/2017

E assim foi o nosso primeiro encontro....








Um pouco de História do Cinema com  Cristiano Rodrigues  →










← Maria Leopoldina e Cristiano Rodrigues falam um pouco sobre História do Cinema e exibem alguns vídeos que marcaram a História do Cinema.






Filme 1 (2° ENCONTRO) - NUMA ESCOLA DE HAVANA (Sinopse, Trailer e Crítica)

Numa escola de Havana



Direção: Ernesto Daranas. 2014. 1:36. Cuba.

SINOPSE


             Chala (Armando Valdes Freire), um garoto de onze anos, vive com sua mãe viciada em drogas, Sonia (Yuliet Cruz). Para sustentar a casa, ele treina cães de briga, indiretamente ajudado por um homem que pode ser ou não seu pai biológico. As dificuldades de sua vida refletem na escola, onde é aluno de Carmela (Alina Rodriguez), por quem ele tem um grande respeito. Mas quando ela fica doente e tem que se afastar, Chala não se adapta à nova professora, que sugere que ele seja transferido para um internato. Quando Carmela retorna, não aceita essa medida e outras imposições que aconteceram durante sua ausência. Enquanto a relação entre professora e aluno se intensifica, os dois passam a ser perseguidos na escola, levando a um conflito que reflete o complexo sistema contemporâneo de Cuba. 



TRAILER





CRÍTICA

Numa escola de Havana.


por Renato Hermsdorff





A vida de Chala (Armando Valdes Freire), 11 anos, não é exatamente um mamão com açúcar. Filho de uma drogada, ele vende pombos e sujeita seus cachorros a brigar, para poder colocar comida na mesa de casa. Invocado, a única pessoa que ele respeita é Carmela (Alina Rodriguez), a professora das antigas que, no entanto, também tem seus problemas com a burocracia do sistema educacional de Cuba (que, a bem da verdade, poderia ser a realidade de qualquer país latino-americano).
  "Denso?", "Pesado?", "Chato?" Que nada! Numa Escola de Havana, apesar de não cortar o espinho, traz uma história acessível, ora poética, ora um tanto quanto piegas. Redondo na primeira metade, o filme perde ritmo na parte seguinte, mas a experiência é positiva e o maior mérito é o do jovem ator cubano Valdes Freire, o protagonista. 
Ele incorpora o personagem com um misto de malandragem e revolta, de uma forma tão realista, que fica difícil acreditar na idade/ maturidade do moleque. E não só. Todo o numeroso elenco infantil se sai muito bem – o que é fundamental para o bom andamento do filme – quase melhor do que o núcleo dos adultos.
Os meandros do sistema de ensino estão lá. Mas eles servem para dar suporte à história pessoal desse garoto e da professora velha de guerra. Nesse sentido, Numa Escola de Havana está mais para Os Incompreendidos (1959), o clássico de François Truffaut, do que para Entre os Muros da Escola, o filme-sensação do Festival de Cannes,2009.
 Há muitos riscos em se assumir uma história como essa. O do sentimentalismo (“coitado do menino”), do clichê social (“pobre de Cuba”), da polêmica política (“malditos comunistas” ou mesmo “isso sim é que é regime”). Não é de todos que o diretor Ernesto Daranas consegue escapar. Se, por um lado, o filme caminha no limite da novela, o que é acentuado sobretudo por uma trilha melosa e muito presente, por outro ele se posiciona em cima do muro a respeito do regime, o que se mostra acertado.
 Sem fazer nenhum juízo de valor, há na obra momentos/ argumentos que tanto podem ser tomados para a defesa de um sistema que governa a ilha há anos, e outros a favor dos que o criticam. Ou seja, o diretor, sabiamente, deixa a decisão para o espectador – e o melhor: dá munição para ambos os lados.
 Mas o que realmente interessa é saber o destino de Chala, Carmela e dessa turma do "Carrossel" do Bronx, do Capão Redondo, da Maré. Embarque.



Filme 2 (2° ENCONTRO) - VIVER É FÁCIL COM OS OLHOS FECHADOS (Sinopse, Trailer e Crítica)


Viver é fácil com os olhos fechados


Direção: Davi Trueba. 2015.  1:48. Espanha.


SINOPSE



Em plena década de 60, Antonio (Javier Cámara), um modesto professor de inglês, é fã incondicional dos Beatles e sonha em conhecer seu ídolo, John Lennon. Para encontrar o seu "herói", o professor viaja até Almeria e no meio do caminho esbarra com dois jovens: Belén (Natalia de Molina) e Juanjo (Francesc Colomer), um garoto de dezesseis que está fugindo do pai autoritário. O encontro faz a vida de cada um tomar rumos imprevisíveis.


TRAILER







CRÍTICA




Viver é fácil com os olhos fechados. 



 por Francisco Russo


Ídolos são sempre fonte de inspiração, seja pelo que produzem (nas artes, no esporte, na vida) quanto pelo que dizem. Poucos são aqueles com a sabedoria necessária para, conhecedores do poder que têm em mãos, usá-lo de forma a realmente fazer a diferença. John Lennon é um destes casos, não apenas pela excelência musical produzida no período dos Beatles mas também pelas mensagens de paz e união que transmitia - como esquecer a belíssima "Imagine"?
Viver é Fácil Com os Olhos Fechados, candidato da Espanha ao Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro, se apropria do perfil de Lennon para compor uma história de fundo real, quando ele se arriscou como ator em Como Eu Ganhei a Guerra. Em plena ditadura de Franco, Lennon & cia se mudaram para a cidade espanhola de Almería para rodar o longa-metragem, não sem antes os Beatles enfrentarem problemas de cunho moral devido a shows recentes que fizeram ao redor do planeta. Tudo documentado (e explicado) na oportuna matéria jornalística que dá início ao filme, de forma a ambientar o espectador naquele universo. Mas este na verdade não é um filme sobre John Lennon, mas de sua influência perante as pessoas.
O personagem principal da história é o professor Antonio, interpretado pelo cativante Javier Cámara, que tem o hábito de ensinar inglês aos alunos usando canções dos Beatles. Quando descobre que seu ídolo está por perto, ele rapidamente pega o carro e parte de Madri para Almería, disposto a conversar com ele. Tamanha ingenuidade encontra apoio em dois jovens que cruzam seu caminho, Belén (Natalia de Molina) e Juanjo (Francesc Colomer), em uma viagem repleta de esperança e sonhos.
 Road movie por natureza, o longa-metragem adota o título de forma dúbia. Se por um lado é a versão em espanhol de um dos versos de "Strawberry Fields", fazendo a óbvia ligação da passagem de Lennon pelo país, é também uma metáfora da trama exibida em relação ao momento político vivido. Por mais que não tenha influência direta nos eventos, a sombra de Franco está sempre presente e ameaçadora, lembrando que toda a leveza apresentada é na verdade uma redoma protetora em torno dos personagens principais - a vida lá fora, com os olhos abertos, é bem diferente. Entretanto, por mais que seja um contraste interessante, o diretor David Trueba não parece muito interessado nele. Sua opção é claramente por um típico feel good movie, repleto de idealismo e com personagens leves que lutam pelos seus sonhos. A fotografia sempre luminosa e o figurino de época, com um quê de nostalgia, reforçam esta proposta.

Simpático, Viver é Fácil com os Olhos Fechados é um filme leve que se sustenta principalmente no carisma de seu ator principal e na figura emblemática que foi Lennon. Mas apenas isto. Interessante.

FONTE: fhttp://www.adorocinema.com/filmes/filme-221170/criticas-adorocinema/

Filme 3 - (2° ENCONTRO) - A LÍNGUA DAS MARIPOSAS. (Sinopse, Trailer e Crítica)

A Língua das mariposas. 



Direção: José Luíd Cuerda. 1996. 1:36.  Espanha.


SINOPSE

O mundo do pequeno Moncho estava se transformando: começando na escola, vivia em tempo de fazer amigos e descobrir novas coisas, até o início da Guerra Civil Espanhola, quando ele reconhecerá a dura realidade de seu país. Rebeldes fascistas abrem fogo contra o regime republicano e o povo se divide. O pai e o professor do menino são republicanos, mas os rebeldes ganham força, virando a vida do garoto de pernas para o ar.



TRAILER   



CRÍTICA 


 A língua das Mariposas.


por Celso Sabadin


Aos sete anos, o garoto Moncho (Manuel Lozano) passa por um período de pequenas e importantes descobertas na escola e na vida. Cheio de sabedoria, seu velho professor Don Gregorio (o veterano Fernando Fernán-Gomes, ator em quase 200 filmes e escritor e diretor de dezenas de outros) é um verdadeiro ídolo para o menino. Porém, a Guerra Civil chega espalhando terror, ódio e desconfiança entre os próprios espanhóis. O melhor amigo de hoje pode ser o inimigo mortal de amanhã e tudo o que parecia firme e sólido pode desmoronar a qualquer momento.

Baseado em três contos de Manuel Rivas (La Lengua de las Mariposas, Carmiña e Um Saxo en la Niebla), o filme escancara a guerra como fator degenerativo do que existe de mais puro entre as relações humanas. Mostra claramente, de forma cruel e implacável, o ônus humano do conflito, as amizades que nunca mais se reatarão, as vidas que nunca mais se salvarão, as feridas que jamais serão fechadas. Não é um filme de guerra no sentido tradicional, de bombas e explosões, mas sim de forças muito mais devastadoras. A eterna desconfiança, por exemplo.

O final - meio cifrado, meio enigmático - deixa aberta uma porta de esperança. Estaria Moncho querendo passar um recado secreto ao seu velho mestre, mostrando que ele se lembraria para sempre das velhas lições? Ou ele estaria simplesmente dizendo que tudo o que foi aprendido poderia se voltar contra o próprio professor? Aquelas lágrimas seriam de ódio ou tristeza? A resposta fica por conta de cada um, já que a insanidade de uma guerra, principalmente civil, jamais será explicada.









Críticas alternativas: