A Língua das mariposas.
Direção: José Luíd Cuerda. 1996. 1:36. Espanha.
SINOPSE
O mundo do pequeno Moncho estava se transformando: começando na escola, vivia em tempo de fazer amigos e descobrir novas coisas, até o início da Guerra Civil Espanhola, quando ele reconhecerá a dura realidade de seu país. Rebeldes fascistas abrem fogo contra o regime republicano e o povo se divide. O pai e o professor do menino são republicanos, mas os rebeldes ganham força, virando a vida do garoto de pernas para o ar.
TRAILER
CRÍTICA
A língua das Mariposas.
por
Celso Sabadin
Aos
sete anos, o garoto Moncho (Manuel Lozano) passa por um período de pequenas e
importantes descobertas na escola e na vida. Cheio de sabedoria, seu velho
professor Don Gregorio (o
veterano Fernando Fernán-Gomes,
ator em quase 200 filmes e escritor e diretor de dezenas de outros) é um
verdadeiro ídolo para o menino. Porém, a Guerra Civil chega espalhando terror,
ódio e desconfiança entre os próprios espanhóis. O melhor amigo de hoje pode
ser o inimigo mortal de amanhã e tudo o que parecia firme e sólido pode
desmoronar a qualquer momento.
Baseado
em três contos de Manuel Rivas (La Lengua de las Mariposas, Carmiña e Um
Saxo en la Niebla), o
filme escancara a guerra como fator degenerativo do que existe de mais puro
entre as relações humanas. Mostra claramente, de forma cruel e implacável, o
ônus humano do conflito, as amizades que nunca mais se reatarão, as vidas que
nunca mais se salvarão, as feridas que jamais serão fechadas. Não é um filme de
guerra no sentido tradicional, de bombas e explosões, mas sim de forças muito
mais devastadoras. A eterna desconfiança, por exemplo.
O
final - meio cifrado, meio enigmático - deixa aberta uma porta de esperança.
Estaria Moncho querendo passar um recado secreto ao seu velho mestre, mostrando
que ele se lembraria para sempre das velhas lições? Ou ele estaria simplesmente
dizendo que tudo o que foi aprendido poderia se voltar contra o próprio
professor? Aquelas lágrimas seriam de ódio ou tristeza? A resposta fica por
conta de cada um, já que a insanidade de uma guerra, principalmente civil,
jamais será explicada.




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