Filme 1 (2° ENCONTRO) - NUMA ESCOLA DE HAVANA (Sinopse, Trailer e Crítica)

Numa escola de Havana



Direção: Ernesto Daranas. 2014. 1:36. Cuba.

SINOPSE


             Chala (Armando Valdes Freire), um garoto de onze anos, vive com sua mãe viciada em drogas, Sonia (Yuliet Cruz). Para sustentar a casa, ele treina cães de briga, indiretamente ajudado por um homem que pode ser ou não seu pai biológico. As dificuldades de sua vida refletem na escola, onde é aluno de Carmela (Alina Rodriguez), por quem ele tem um grande respeito. Mas quando ela fica doente e tem que se afastar, Chala não se adapta à nova professora, que sugere que ele seja transferido para um internato. Quando Carmela retorna, não aceita essa medida e outras imposições que aconteceram durante sua ausência. Enquanto a relação entre professora e aluno se intensifica, os dois passam a ser perseguidos na escola, levando a um conflito que reflete o complexo sistema contemporâneo de Cuba. 



TRAILER





CRÍTICA

Numa escola de Havana.


por Renato Hermsdorff





A vida de Chala (Armando Valdes Freire), 11 anos, não é exatamente um mamão com açúcar. Filho de uma drogada, ele vende pombos e sujeita seus cachorros a brigar, para poder colocar comida na mesa de casa. Invocado, a única pessoa que ele respeita é Carmela (Alina Rodriguez), a professora das antigas que, no entanto, também tem seus problemas com a burocracia do sistema educacional de Cuba (que, a bem da verdade, poderia ser a realidade de qualquer país latino-americano).
  "Denso?", "Pesado?", "Chato?" Que nada! Numa Escola de Havana, apesar de não cortar o espinho, traz uma história acessível, ora poética, ora um tanto quanto piegas. Redondo na primeira metade, o filme perde ritmo na parte seguinte, mas a experiência é positiva e o maior mérito é o do jovem ator cubano Valdes Freire, o protagonista. 
Ele incorpora o personagem com um misto de malandragem e revolta, de uma forma tão realista, que fica difícil acreditar na idade/ maturidade do moleque. E não só. Todo o numeroso elenco infantil se sai muito bem – o que é fundamental para o bom andamento do filme – quase melhor do que o núcleo dos adultos.
Os meandros do sistema de ensino estão lá. Mas eles servem para dar suporte à história pessoal desse garoto e da professora velha de guerra. Nesse sentido, Numa Escola de Havana está mais para Os Incompreendidos (1959), o clássico de François Truffaut, do que para Entre os Muros da Escola, o filme-sensação do Festival de Cannes,2009.
 Há muitos riscos em se assumir uma história como essa. O do sentimentalismo (“coitado do menino”), do clichê social (“pobre de Cuba”), da polêmica política (“malditos comunistas” ou mesmo “isso sim é que é regime”). Não é de todos que o diretor Ernesto Daranas consegue escapar. Se, por um lado, o filme caminha no limite da novela, o que é acentuado sobretudo por uma trilha melosa e muito presente, por outro ele se posiciona em cima do muro a respeito do regime, o que se mostra acertado.
 Sem fazer nenhum juízo de valor, há na obra momentos/ argumentos que tanto podem ser tomados para a defesa de um sistema que governa a ilha há anos, e outros a favor dos que o criticam. Ou seja, o diretor, sabiamente, deixa a decisão para o espectador – e o melhor: dá munição para ambos os lados.
 Mas o que realmente interessa é saber o destino de Chala, Carmela e dessa turma do "Carrossel" do Bronx, do Capão Redondo, da Maré. Embarque.



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