TRAILER
SINOPSE
Direção:
Abderrahmane Sissako. 2014. 1:37. Mauritânia – França.
Julho
de 2012, em uma pequena cidade no norte de Mali, controlada por extremistas
religiosos. Uma família tem sua rotina alterada quando um pescador mata uma de
suas vacas. Ao tirar satisfação sobre o ocorrido, Kidane (Ibrahim Ahmed dit
Pino) acaba matando o tal pescador. Tal situação o coloca no alvo da facção
religiosa, já que cometera um crime imperdoável.
CRÍTICA
TIMBUKTU.
por Lucas Salgado
2015
começou de uma forma que ninguém esperava, ou gostaria. Com o atentado
terrorista na França, que resultou na morte de inúmeros jornalistas e
cartunistas da Charlie Hebdo, o mundo mais uma vez se viu obrigado a confrontar
as mazelas da intolerância e do extremismo religioso. Não fosse o bastante, o
caso resultou em inúmeras outras situações de violência em todo mundo. Ao mesmo
tempo, grupo jihadista Estado Islâmico só ganha força e não demonstra qualquer
pudor ao divulgar amplamente suas execuções pela internet. É neste contexto que
Timbuktu chega aos cinemas brasileiros. Por essas e outras, trata-se de um
filme importantíssimo.
Indicado
ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o longa da Mauritânia retrata o dia a dia
de uma pequena cidade histórica no norte de Mali, que passa a ser controlada
por extremistas religiosos. De um dia para o outro, os moradores são obrigados
a conviver com restrições às suas liberdades. Há um toque de recolher, a
proibição de confraternizações mesmo em casas e homens que passam a agir como
juiz e executor. Nos vemos diante de um lugar que não tolera mais a alegria ou
o amor.
Trata-se
de uma obra atual, envolvente e desoladora em alguns momentos. Também
possibilita a reflexão ao tentar mostrar que mesmo pessoas em tese pacíficas
são afetadas por certo radicalismo ao serem mantidas em uma sociedade radical e
excessiva. Isso é visto quando um personagem importante procura fazer justiça
pelas próprias mãos ao se irritar com um vizinho.
O
principal mérito da produção está em retratar uma situação duríssima, mas sem
abrir mão da poesia. Poesia esta que não é só visual, através de uma fotografia
fabulosa e cenários atraentes, mas também através da ação de personagens. O
longa tem pelo menos dois momentos belíssimos. No primeiro, vemos crianças
jogando futebol, mas sem bola. Afinal, é proibido jogar futebol. No segundo,
temos um grupo de amigos que se reúnem em uma casa para cantar e tocar música.
A beleza da canção, por si só, já nos faz não entender o motivo pelo qual
pessoas não podem simplesmente cantar em suas casas.
Timbuktu
conta com uma bela direção de Abderrahmane Sissako e com atuações marcantes de
Ibrahim Ahmed dit Pino, Abel Jafri, Hichem Yacoubi, Toulou Kiki e Kettly Noël.
Um filme importante que chega em um momento importante de nossa sociedade. Para
ver e refletir. Diante de tanta beleza no mundo, vale mesmo a pena tanta
violência e tanto ódio em nome de Deus?

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